Não é sempre que se é possível encontrar homens sensíveis. No bom sentido, é claro. Daqueles, capazes de entender o significado de um olhar. De uma mordida nos lábios. De um sorriso amarelo. Ou capaz de entender, sem coisa alguma, que alguma coisa não vai bem. Convenhamos, os homens, apesar de muito importantes em nossas vidas (tá, vamos assumir), raramente preenchem este requisito. E aí, a gente vai se acostumando.
Se acostuma a não ser percebida. A encarar dias e noites de muito esforço e falta de sono, porque o bebê anda com cólica e o marido com sono. A se responsabilizar por "n" coisas da vida das crianças, enquanto ele, aprecia a responsabilidade de seu trabalho. Somente ele.
O assunto não é esse. Falava sobre a sensibilidade, de alguém, por que não, essencial e de papel muito importante em nossas vidas. O homem e a mulher, como casal, deviam guardar consigo, além de levar como regra principal de um casamento a necessidade de se sensibilizar. Não no sentido de ter bondade extrema, de chorar com romances ou sair por aí ajudando o mundo e as pulgas. Não, não é.
Meninos precisam aprender a respeito. E os exemplos são a melhor escola. É evidente que, se a criança crescer num ambiente onde não se há diálogo e muito menos respeito, é bem provável que cresça avoado. Que não perceba necessidades e julgue da maneira a que achar correto.
Não costumo ser a mãe perfeitinha que todos pintam. Nem faço parte do comercial de margarina de família feliz. Do mundo da ficção. Apesar de muito me esforçar, eu ainda não consegui me tornar a super mulher maravilha. É, comadre. Triste realidade.
Já falei sobre as manhãs serem provas de fogo. Das inúmeras tarefas e deveres que me são designadas enquanto no papel de mãe. Além do carinho e vontade extrema de manter tudo em ordem, para bem de todos. Acordar cedo, às vezes já me é um problema. Visto os dias em que o sono me foi tirado.
Hoje, tive uma prova de amor daquelas. Falando de coisas surpreendentes, olhem uma aqui. Num ato de desespero e total falta de saber o que fazer, liguei para meu marido pedindo ajuda. Porque hoje, Davi só queria colo. Pedro, bagunçar. O almoço não sairia. A roupa estava na máquina à espera do varal. Mas, todas estas atividades estavam sem possibilidades de serem executadas. Já que as crianças, precisavam de mim ali.
O marido não atendeu. Mas, ligou em seguida. Enquanto eu lavava a louça, nem ouvi o telefone tocar. Por isso, Leo atendeu. E depois veio me trazer o recado.
"_Papai disse que já está vindo!"
Tudo bem. Sem mais, nada de especial. Obrigada por ter atendido e ponto final. De volta aos trabalhos. Só que quando meu marido chegou, foi logo me dizendo o quanto achou legal o que Leo havia lhe falado. Mas, eu nem sabia que o telefone havia tocado e muito menos que Leo houvesse atendido. O que foi que ele falou?
"_ Vem papai, vem. Vem ajudar a mamãe, porque ela não está dando conta! Está cansada!"
Aí que a mãe baba. Acha a sensibilidade do filho a coisa mais linda do mundo. Não falei, não reclamei, não dei um piu. E mesmo assim, ele percebendo a situação, pediu que o pai viesse me ajudar. Eu choro agora, ou depois?