sábado, 26 de maio de 2012

Conhece Mamãe?

Na correria da manhã, estava na pressa de vestir o uniforme dos meninos, quando Leo veio com uma das suas. Davi berrava no cercado, e o almoço cozinhava. Mal tinha tempo pra respirar. Eis que:

_ Mãe, você conhece a Maria Fedida?
_ O que?
_ A Maria Fedida...
_ O que é isso?
_ É um bicho. E ela é fedida, porque vive soltando pum.

Dorme com essa. Onde foi que aprendeu algo assim? É lógico que eu sei o que é uma maria fedida, só quis testa-lo quando perguntei. Mas, que ela solta pum é novidade. Ou a imaginação desse menino é muito fértil, ou andou escutando besteira. E nem preciso dar um doce e pedir pra você adivinhar quem é que foi o autor deste conhecimento passado ao Leo. Pois, eu aposto que foi o papai. Vai saber.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um menino inteligente

Não é sempre que se é possível encontrar homens sensíveis. No bom sentido, é claro. Daqueles, capazes de entender o significado de um olhar. De uma mordida nos lábios. De um sorriso amarelo. Ou capaz de entender, sem coisa alguma, que alguma coisa não vai bem. Convenhamos, os homens, apesar de muito importantes em nossas vidas (tá, vamos assumir), raramente preenchem este requisito. E aí, a gente vai se acostumando.

Se acostuma a não ser percebida. A encarar dias e noites de muito esforço e falta de sono, porque o bebê anda com cólica e o marido com sono. A se responsabilizar por "n" coisas da vida das crianças, enquanto ele, aprecia a responsabilidade de seu trabalho. Somente ele.

O assunto não é esse. Falava sobre a sensibilidade, de alguém, por que não, essencial e de papel muito importante em nossas vidas. O homem e a mulher, como casal, deviam guardar consigo, além de levar como regra principal de um casamento a necessidade de se sensibilizar. Não no sentido de ter bondade extrema, de chorar com romances ou sair por aí ajudando o mundo e as pulgas. Não, não é.

Meninos precisam aprender a respeito. E os exemplos são a melhor escola. É evidente que, se a criança crescer num ambiente onde não se há diálogo e muito menos respeito, é bem provável que cresça avoado. Que não perceba necessidades e  julgue da maneira a que achar correto.

Não costumo ser a mãe perfeitinha  que todos pintam. Nem faço parte do comercial de margarina de família feliz. Do mundo da ficção. Apesar de muito me esforçar, eu ainda não consegui me tornar a super mulher maravilha. É, comadre. Triste realidade.

Já falei sobre as manhãs serem provas de fogo. Das inúmeras tarefas e deveres que me são designadas enquanto no papel de mãe. Além do carinho e vontade extrema de manter tudo em ordem, para bem de todos. Acordar cedo, às vezes já me é um problema. Visto os dias em que o sono me foi tirado.

Hoje, tive uma prova de amor daquelas. Falando de coisas surpreendentes, olhem uma aqui. Num ato de desespero e total falta de saber o que fazer, liguei para meu marido pedindo ajuda. Porque hoje, Davi só queria colo. Pedro, bagunçar. O almoço não sairia. A roupa estava na máquina à espera do varal. Mas, todas estas atividades estavam sem possibilidades de serem executadas. Já que as crianças, precisavam de mim ali.

O marido não atendeu. Mas, ligou em seguida. Enquanto eu lavava a louça, nem ouvi o telefone tocar. Por isso, Leo atendeu. E depois veio me trazer o recado.

"_Papai disse que já está vindo!"

Tudo bem. Sem mais, nada de especial. Obrigada por ter atendido e ponto final. De volta aos trabalhos. Só que quando meu marido chegou, foi logo me dizendo o quanto achou legal o que Leo havia lhe falado. Mas, eu nem sabia que o telefone havia tocado e muito menos que Leo houvesse atendido. O que foi que ele falou?

"_ Vem papai, vem. Vem ajudar a mamãe, porque ela não está dando conta! Está cansada!"

Aí que a mãe baba. Acha a sensibilidade do filho a coisa mais linda do mundo. Não falei, não reclamei, não dei um piu. E mesmo assim, ele percebendo a situação, pediu que o pai viesse me ajudar. Eu choro agora, ou depois?



 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Um menino econômico

Pedro tem todo um jeito especial de ser. Sem brincadeira, é muito evidente. Ele chega, sempre de mansinho e conquista qualquer um. Eu garanto. Guarda na memória boas palavrinhas a serem ditas. Não se esquece de pessoas. E sempre é um bom comediante. Seu futuro, certamente.

Sábado, fomos dar um passeio no shopping. Olhar vitrines, babar por algumas coisas e passear. Além de comparecer ao canto mais especial. A livraria. Pra orgulho da mãe, o canto preferido dos meninos.

Mas, numa vitrine qualquer, babei por um mini sapatinho. Desses de bonequinha. Pra mãe de menina alguma botar defeito. Pedro, neste momento, em meu colo. Assistiu atentamente à cena da mãe.

_Olha Pedro, que lindo este sapatinho. A mamãe queria ter uma menininha.
_ Não pode! Não tem dinhelo!


Morri! Fala sério. Tamanha economia, pra pagar as contas e a mania de economia, já pegou no meu moleque. Ele, tão ele. Já, tão cedo, exercendo um papel maduro destes. Avisando à mãe, que seria impossível, decerto, comprar e gastar rios de dinheiro, no exato momento, ao ver dele. Tendo uma menina, agora.

Não, isso nem passou pelos meus pensamentos. Ainda não enlouqueci assim. Tenho sérios problemas e alta probabilidade para encarar um "probleminha" assim, num futuro, ainda, meio distante. Mas, ainda não.

Vamos encarar, jogar limpo. Mamãe tem "dinhelo" pra muita coisa. Nada de riquezas extremas. Nem ilusões de cartões. Mas, pra tudo se dá um jeito. Quando se quer.

Além dos planos econômicos, ainda me restam uns sonhos. Concluir minha faculdade, desta vez, sem sair dela por ficar barriguda. Curtir meus brotos, em fase de crescimento acelerado. E cuidar de mim. Ah, como eu preciso. Mereço. Investir numa noite de sono. Ainda, nada cabível, diante de tal realidade.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

o Espertinho

Na minha cama, deitados, esperando pela hora de botar os meninos na cama deles. Pedro se aconchegou, mandou o pai sair e se deitou ao meu lado. Quis carinho e por isso, puxei conversa.

_ E aí, Pedro. Como foi a escola hoje?
_ Ah, tia Lú bava co Pedo. (brava com o Pedro)
_Mas, o que o Pedro fez?
_ Eu subi na mesa dela e mexi nas coisas dela.
_ E o que a tia Lú, falou?
_"Não faça isso!"
_O Pedro obedeceu?
_Aham...

Pausa para um longo silêncio.

O Pai, que passou no corredor, momentos depois, foi chamado por mim, pra escutar a história.

_Pedro, conta pro  papai, o que aconteceu hoje na escolinha.
_Pedo foi no parque, na horta. Pedo bincou.
_Mas, Pedro e a tia Lú?
_Tia Lú, bozinha!

O menino, ainda deste tamanho, foi esperto o bastante, decerto, temendo qualquer represália vinda do pai. Escondeu o ocorrido, bem de fininho. Só contou pra mim. Então, será que sou boazinha?